Um dos destaques da mais recente edição da Cover Baixo - de número 82, que já está nas bancas - é a coluna de Alexandre Panta a respeito de double thumb, “Aplicando o Hammer On”. Dê uma olhada:
Na edição passada, estudamos alguns padrões rítmicos utilizando dead notes alternado com notas diatônicas, com a finalidade de obter precisão e clareza na execução da técnica. Agora, vamos aumentar um pouco o grau de dificuldade acrescentando o movimento de hammer on, que será uma ferramenta essencial somada aos movimentos padrões de double thumb.
No exemplo A, a aplicação é feita sobre um padrão de tercinas de colcheia na seguinte sequência: TD, H e TU. Nos compassos 1 e 2, as notas são do acorde de G7 (G, B, D e F), e nos compassos 3 e 4 do acorde de C7M (C, E, G e B).
No exemplo B, o que muda em relação ao primeiro é a divisão rítmica, que passa a ser em padrão de semicolcheia, na seguinte sequência: TD, H, TD e TU.
Lembre-se do uso do metrônomo para execução dos exemplos. Nesse estágio de estudo, o foco principal é a clareza das subdivisões das células rítmicas e a precisão do ataque nas notas.
Na próxima edição, iniciaremos estudos com o movimento de pluck (puxada).
Qua, 07 de Outubro de 2009 14:47
Fernando Savaglia
A soul music é a combinação de dois estilos de músicas afro-americanas: o rhythm n’ blues (r&b) e o gospel. O blues, pai do r&b, originou-se nos cantos dos escravos nas colheitas de algodão no sul dos Estados Unidos há alguns séculos. Basicamente, era a forma encontrada por eles para expressar suas mazelas e sofrimentos causados pela absurda condição que lhes era imposta. Já o r&b era uma forma de tocar o blues de maneira mais rápida e com letras menos sofridas, uma música feita por negros para platéias negras, que teve o seu apogeu no início dos anos 50.
O complexo quebra-cabeça que é a música americana do século XX pode tornar-se mais confuso quando se percebe que o r&b deu origem a outra forma de expressão que mudaria por completo a música pop mundial: o rock and roll. É natural que nos anos 50, existisse uma intersecção dos recém-nascidos rock e soul, por conta de os dois estilos serem, na verdade, originados do até então onipresente rhythm n’ blues.
Mas até onde se estende a fronteira do r&b e como surgiu o soul?
A resposta é o gospel, um estilo de música religiosa que tem o propósito de elevar o espírito humano. Nascido nas igrejas do sul dos Estados Unidos, o gospel serviu de veículo para uma retomada de identidade dos negros por meio da religião e, conseqüentemente, de sua música. Ao introduzir elementos de gospel em suas canções, os pioneiros do estilo estavam provocando uma revolução na maneira de se expressar e também na forma de tocar dos músicos que os acompanhavam. Para quem não sabe, estou me referindo a James Brown, Ray Charles, Sam Cooke, T-Bone Walker e Jack Wilson, entre outros. Veja alguns vídeos desses gênios abaixo:
Especificamente em relação aos contrabaixistas de r&b no início dos anos 50, pode-se dizer que poucos se destacaram, e não porque não existissem músicos talentosos. Na verdade, não era usual dar créditos aos profissionais que acompanhavam a verdadeira avalanche de grupos vocais surgida naquela época. Além disso, as condições técnicas não colaboravam para o surgimento de grandes nomes. Muitos detalhes de arranjo, às vezes, perdiam-se nas limitadas gravações, geralmente feitas em um único canal e, via de regra, ao vivo.
Ainda assim, alguns nomes conseguiram furar esse bloqueio imposto pela precariedade técnica, como Lloyd Trotman (da banda de Ray Charles), Roosevelt Sheffield (do The Coasters) e Abie Parker (que tocava com Sam Cooke), que você vê abaixo:
Com o advento do soul, o baixo e os baixistas passaram, aos poucos, a ter seu devido reconhecimento. Tal fato possibilitou até o aparecimento de verdadeiros superheróis do instrumento, como James Jamerson...
Seguindo nossos estudos, o próximo passo agora é tocar alternando as notas mortas com as diatônicas (notas de uma determinada tonalidade). No exemplo A, há um padrão em semínimas sobre a tétrade de C7M, alternando as notas da tétrade com as dead notes e mesclando sempre TD (thumb down) com TU (thumb up). Isso vai contribuir muito para a criação de grooves com o aspecto percussivo que é a característica mais marcante desta técnica.
Partindo para o exemplo B, temos a mesma ideia, só que em grupos de colcheia, o que naturalmente vai aumentar a velocidade de execução.
Os exemplos estão no acorde de C para demonstrar o conceito de aplicação, mas é de extrema importância que se toquem regiões mais agudas e mais graves.
Na próxima coluna, iniciaremos estudos com o acréscimo do hammer on aos movimentos estudados até então. Bons estudos!
Leia as outras colunas na edição 81 da Cover Baixo