Uma das transcrições da nova edição da Cover Baixo, feita pelo sempre atuante Fernando Tavares, é uma ótima canção do Rancid, "Maxweel Murder". Veja um trecho do vídeo exclusivo presente na edição digital (disponível apenas para os nossos assinantes)...
... e a explicação completa da transcrição, publicada na edição “em papel”:
Esta música está dividida em três partes. Na primeira parte, temos a base de voz e ela acontece entre os compassos 2 ao 9 e 18 ao 25, podendo ser dividida em dois trechos: no primeiro, o baixista Matt Freeman utiliza a tônica de cada acorde e uma aproximação cromática para a nota Ré; no segundo, ele usa a tônica do acorde de D5, depois a tônica do acorde de C5 e uma aproximação cromática de três notas para a tônica de acorde de G5 – e sobre este acorde, ele utiliza a escala de Sol mixolídio.
Na segunda parte (compassos 10 ao 17, 26 ao 33 e do 42 até o final), o baixista utiliza a tônica e a 7ª maior do acorde F5, a escala de Lá menor dórico para o acorde A5 e a escala de Ré maior para o acorde D5. Entre os compassos 34 e 41, acontece o solo de contrabaixo, de difícil execução, em que o baixista utilizou a escala de Ré menor e alguns cromatismos para construí-lo.
Muita gente escreve para nós pedindo dicas para tocar determinadas músicas, e uma das mais solicitadas é “Rebirth”, do Angra.
Bem, a canção tem Am como tonalidade central, modulando algumas vezes para outras tonalidades, como no solo de guitarra de Kiko Loureiro, por exemplo, que passa por três tonalidades - no começo, em Bm; depois, modula para Am e, no final, vai para Dm. Outra característica de modulação bastante interessante pode ser encontrada na “parte B”, em que foi empregada a escala menor harmônica, com alguns acordes de passagem.
O mais interessante das linhas de baixo criadas por Felipe Andreoli para esta música são as subdivisões que elas fazem com a bateria (principalmente os bumbos) de forma sincronizada. Preste atenção especial à “parte B”, cuja divisão rítmica é bem trabalhada, com o groove reforçado pelo peso da corda Si e por alguns ataques com notas oitavadas. Já no começo do solo de guitarra, a velocidade da música dobra, exigindo mais técnica e precisão.
Somente os baixistas que tocam esse estilo sabem bem o quanto é difícil executar e sincronizar tais dobras e variações rítmicas com os bumbos. Portanto, preste muita atenção!
Sem sobra de dúvidas, o Rancid é uma das bandas mais importantes do cenário punk rock da década de 90. Dono de um estilo que mistura punk, rock e ska, o diferencial do grupo também se deve às fantásticas linhas do baixista e eventual vocalista, Matt Freeman.
Durante a trajetória da banda, um dos discos mais significativos para a sua consolidação dentro do cenário mundial foi Life Won’t Wait, lançado no ano de 1998. Sabendo da importância deste álbum não só para o cenário musical, mas também para o mundo do contrabaixo, resolvi fazer uma Anatomia apontando alguns dos melhores momentos deste extraordinário baixista.
“Bloodclot”
O trecho transcrito começa aos 19 segundos e se trata da transição da primeira parte da estrofe para a segunda. Devemos notar que Freeman altera a rítmica do groove para afirmar a mudança de dinâmica entre a primeira e a segunda parte da estrofe. A tonalidade do trecho em questão é de Si bemol maior. Para conseguirmos reproduzir com fidelidade, é importante estudarmos o trecho devagar e com metrônomo.
“Black Lung”
O riff se inicia logo após a introdução da música, feita pela guitarra. Construído sobre a tonalidade de Lá bemol maior, é importante notarmos como Freeman utiliza as notas da escala com extrema criatividade. O que chama bastante atenção é a forma como o baixista encaixa as terças dos acordes dentro do riff, dando um efeito interessante. Como o andamento do trecho é rápido, devemos começar estudando devagar para conseguirmos precisão rítmica.
Esta música está na tonalidade de Dó maior, mas existem algumas modulações no seu decorrer para outros tons. O tema principal foi feito em uníssono com o vibrafone, cuja grande dificuldade é a sua parte rítmica.
A partir do compasso 49, é apresentado o solo de guitarra, construído sobre o modo lídio e utilizando apenas dois acordes – C e D –, com uma substituição do acorde de C para Am em alguns compassos. Repare como o baixo de Tom Fowler e a bateria de Chester Thompson respondem a todas as frases da guitarra. Neste solo, que dura até o compasso144, o baixista empregou ligados, bends e slides em várias frases.
No compasso 150 aparece a ponte 1, com a frase construída com a tônica de cada acorde. Observe os compassos que aparecem durante este trecho, que são pouco usuais e difíceis de se contar – minha sugestão é tentar gravar a frase. Este trecho retorna entre os compassos 171 e 177 e entre 295 e 301. Entre os compassos 159 e 170, você tem um pequeno dueto, que requer um pouco mais de sua técnica, já que, além dos compassos alternados, foram utilizadas frases muito complexas. A partir do compasso 178 temos o segundo dueto, construído sobre o compasso de 7/16, rápido, mas um pouco mais fácil de executar, já que foi construído utilizando a tônica, a 7M de Fá e a tríade de Ré menor.
No compasso 202 surge o trecho mais complexo da música: a base do solo de teclado. Ela foi construída utilizando apenas dois acordes (Ab e Gm) e o baixista usou a escala de Lá bemol maior e Sol menor dórico para construir as frases.
No tema A (compassos 5 a 8 e 26 a 29), o falecido Cliff Burton construiu a linha utilizando os intervalos de T e a oitava sobre o acorde de Em, T e terça menor sobre Bm, e T e terça maior sobre B.
O tema B foi construído com a tônica de cada acorde, um trecho apresentado entre os compassos 9 e 17, e 116 a 119. No compasso 18 inicia-se um trecho muito complexo quanto à execução da parte rítmica, que retorna no final da música (compasso 128).
A partir do compasso 30 você tem o solo de guitarra, sendo que no primeiro trecho (compassos 30 a 37) foi utilizado o tema A como base. Entre os compassos 38 e 51, a linha foi construída sobre a célula rítmica de colcheia e com as tônicas de cada acorde. A partir do compasso 52 há um outro trecho, que funciona como um interlúdio da música e base para o principal dueto de guitarras.
A harmonia foi construída com os acordes F#m/A/Bm/E, com Lee criando diversas frases sobre este trecho, que pode ser dividido em diversas partes, com quatro compassos cada. Usando tal concepção, perceba que os três primeiros compassos de cada parte são repetidos e, no quarto, o baixista utilizou diferentes frases sobre a escala de Mi mixolídio, concepção esta utilizada até o compasso 95. A partir do compasso 96, Lee começou a criar frases cada vez mais complexas sobre a tríade de Fá# menor, escala de Lá maior, Si menor dórico e Mi mixolídio.