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A Estréia de Nosso Novo Colunista: André Hernandes

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Olá, amigos!

Nesta minha estréia como colunista aqui do site da Cover Guitarra, quero dividir algo com vocês...

Quando eu era um adolescente que sonhava tocar em uma banda de renome e poder contar com uma estrutura profissional, imaginava que chegaria ao local do show duas horas antes de começar, pegaria minhas guitarras já com as cordas trocadas, faria um aquecimento de, no mínimo, uma hora e somente então subiria ao palco. O som estaria perfeito, absolutamente sem qualquer problema técnico, minhas cordas não quebrariam e toda noite seria melhor que a anterior.

Pois bem, após a turnê Time to Be Free – que foi o debut da banda do André Matos, da qual eu faço parte -, em que viajamos por quase toda Europa (chegamos a fazer 14 apresentações em um intervalo de 26 dias!), além de Japão e todo o Brasil, posso garantir que, mesmo estando nas casas de shows mais descoladas de Londres ou Paris, os problemas técnicos vão acontecer.

A maioria deles são rapidamente solucionados, como uma corda que quebra e você simplesmente passa a usar a sua guitarra reserva enquanto seu roadie a substitui, ou um cabo que pode se danificar durante o show e é substituído. Até amplificadores e pedais você terá como sobressalentes. Porém, existe um detalhe no palco que, a menos que você disponha de um sistema de ear phone (monitoração com fones de ouvido), irá lhe incomodar mais cedo ou mais tarde. Este detalhe chama-se “monitor” (ou “retorno”).

A verdade é uma só: os equipamentos podem ser da marca mais cara do mundo, você pode passar horas acertando volumes e timbres, eles podem ter sido eficientes até a noite anterior, mas pode ter certeza que, um dia, sabe-se lá o motivo (talvez porque você tenha magoado alguma “Lady Murphy” no passado), estes equipamentos simplesmente indispensáveis vão lhe deixar na mão.

Algumas vezes, eles param de funcionar, o que não considero o pior que pode acontecer. É melhor tê-los desligados do que com o som completamente oposto daquele que você acertou na passagem de som. E é exatamente isto que acontece na maioria das vezes.

Certa vez, George Lynch disse acreditar na existência de pequenas criaturas, como gremlins ou duendes, especializadas em invadir palcos e estúdios enquanto os músicos descansam só para desregular tudo o que foi exaustivamente regulado durante o sempre chato e exaustivo processo de passagem de som. Pois é, eu também acredito nisso!

Enfim, quando seu monitor parar de funcionar ou estiver com o som de um radinho de pilha e os técnicos não souberem mais o que fazer, você só poderá contar com uma pessoa: você. Então, aqui vão algumas dicas que podem salvar a sua noite:

1) esqueça aquele som arrumadinho e bom de tocar que você tem no seu quarto. Ele nunca estará igual a isso no palco. Portanto, quando for praticar, principalmente se estiver se preparando para um show, vá abaixando o ganho da distorção gradativamente, até chegar ao ponto de executar tudo o que você tocará no palco com um timbre beirando o “limpo”. Isto lhe dará pegada e precisão para que você consiga executar suas idéias, o que quer que aconteça com o som da sua guitarra;

2) elabore estas idéias lembrando que você estará em pé no palco. Portanto, é inteligente estar em pé também - e com sua alça devidamente ajustada na altura a seu gosto - quando for gravar ou elaborar tudo o que você posteriormente irá tocar ao vivo. Certo guitarrista - não lembro ao certo quem, mas sei que era um guitar hero da geração shred - disse que todos os instrumentistas perdem em torno de 20% de sua performance quando utilizados em apresentações ao vivo. Então, seja esperto e não tente levar para o palco o máximo de sua técnica atual. Em vez disso, calcule uma “margem de folga” para poder tocar com certa tranqüilidade e continue praticando sempre, para adquirir mais 20% e, futuramente, executar as idéias que foram “vetadas”;

3) quando estiver com dificuldades para se ouvir, experimente dar pequenos passos para os lados e/ou para frente ou para trás, pois você vai reparar que ouvirá melhor em um determinado ponto do palco;

4) aconteça o que acontecer, sempre - mas sempre mesmo! - esteja certo de estar ouvindo no mínimo a caixa e o bumbo da bateria. Caso contrário, será impossível para você tocar sincronizado com o restante da banda.

Agora, você pode estar pensando “Mas eu só toco em botecos e festivais de colégio, não terei estes problemas”.  Engano seu! Aliás, foram nestas ocasiões que vivenciei boa parte das piores e mais desastrosas experiências de palco. Portanto, aqui vai mais uma dica: toque no maior número de festivais e botecos que puder. Assim, quando surgir aquela oportunidade profissional que você esperou por toda a vida ou aquela superestréia da sua mais nova banda, você já estará “vacinado” e preparado para “driblar” estes contratempos. E com elegância!

Espero que você nunca precise usar estas dicas, mas, caso precise, espero que elas o ajudem. Em minha próxima coluna, na semana que vem, vou mostrar um assunto muito interessante: palhetadas com o auxílio de ligados!

Grande abraço!

www.andrehernandes.com.br

Comentários (13)
  • Alan Peterson
    Muito boas as dicas, André.
    Valeu!
  • thomas magnum  - muito legal
    E aí andré blz gostei muito de te ver como novo colunista, te admiro muito e tenho aprendido muito com vc, estarei sempre acompanhado as colunas abraço
  • murray  - realmente
    realmente essas coisas acontecem e muito, nada como parar de se ouvir enquanto toca para a galera da escola(falando de pequenas carreirasuahuah), valeu andré muito obrigado pela dica do treino com baixxa distorção!!!
  • heye
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