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Palhetada com o Auxílio de Ligados – parte 1

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A Hernandes

Para inaugurar minha coluna nesta nova e pioneira fase da nossa revista, escolhi falar da técnica que mais incomoda e intriga os amantes da guitarra virtuose: a palhetada alternada.

Como este assunto já foi discutido e detalhado exaustivamente nas páginas da Cover Guitarra e de outras revistas ao redor do mundo, não o abordaria se não fosse para demonstrar algo que possa acrescentar ou até resolver o problema daqueles que não conseguem executar de forma rápida e, principalmente, clara esta técnica, que vem sendo um - senão o maior - dos desafios para os guitarristas de um modo geral.

Iniciaremos abordando um conceito de frases mais voltado ao rock/metal, mas vale lembrar que esta concepção de palhetada será muito útil também no fraseado do jazz/fusion, claro que com uma outra linguagem. Enfim, deixaremos isto para uma segunda etapa, até porque será mais trabalhosa e exigirá mais recursos técnicos e teóricos.

O que iremos fazer é muito simples na teoria, porém, na prática, a maioria dos alunos encontra uma certa dificuldade nos primeiros dias de treino, devido ao fato de estarmos rompendo com um “protocolo” de palhetada que vem sendo praticado há muitos anos pela maioria dos guitarristas no mundo todo: o hábito de palhetar todas as notas. Por isso, recomendo muita paciência e perseverança, porque você não terá resultados substanciais nos primeiros dias - talvez nem nas primeiras semanas!

Como disse anteriormente, iremos executar alguns ligados em pontos estratégicos. Mas quais seriam estes pontos? Muito simples: a nota ou as notas que antecedem a mudança de corda! Veja bem: você é capaz de palhetar com velocidade e precisão por um longo tempo em uma única corda, certo? Então, o que o impede de fazer a mesma coisa em frases, licks, padrões etc?

A resposta é: a mudança de corda! Portanto, iremos eliminar a(s) palhetada(s) que antecedem o momento da mudança de corda, trocando por um hammer-on ou pull-off de acordo com a necessidade. Desta forma, você terá tempo hábil para deslocar sua palheta para a corda seguinte, quando irá retomar este processo e assim sucessivamente.

Não sou o inventor desta concepção. Ela já vem sendo usada no jazz e fusion há décadas, e no rock por Paul Gilbert e Richie Kotzen, entre outros.

Alguns detalhes técnicos serão fundamentais para que a sonoridade ou efeito continue sendo o de uma frase de palhetada “infernal”. O principal deles é o de sempre mantermos um número substancialmente maior de notas palhetadas do que ligadas em cada uma das cordas que você passar. Caso contrário, sua frase soaria mais como se fosse executada com técnica de ligados, que não é o propósito desta matéria.

Por exemplo: se tocar cinco notas em uma mesma corda, no mínimo três devem ser palhetadas - se conseguir palhetar quatro, melhor ainda. É claro que as notas ligadas serão as últimas - ou a última antes da mudança de corda.

Repare que, neste novo conceito, as palhetadas aparecerão em fragmentos de três, quatro, cinco ou mais palhetadas sucessivas antes da interrupção, que será feita pelos ligados que antecedem as mudanças de corda. É fundamental que cada um destes fragmentos de palhetadas sucessivas seja iniciado com a palhetada no sentido para baixo, porque é assim que temos mais impulso para fazer uma “disparada” de palhetadas sucessivas e rápidas. Isto está especificado em cada nota palhetada de cada exemplo, basta seguir à risca!

Veja tudo isto acontecendo nos exemplos 1 e 2, que são apenas exercícios de entendimento e condicionamento da técnica em questão. Eles foram escritos em um pequeno fragmento da escala de G/Em, que você encontrará nas duas primeiras cordas do V formato desta escala, quando digitada no padrão de três notas por corda, com a tônica na sexta corda. Toque e repita-os inúmeras vezes, observando o asterisco que indica a nota inicial, ou seja, o ponto em que você deve fazer o “looping”.

Exemplo 1

Exemplo 2

Treine-os exaustivamente antes de passar para os exemplos 3 e 4, em que aplicaremos os mesmos motivos, mas agora passando por todas as cordas. Conseguiremos isso transportando o fragmento da escala de G/Em em oitavas abaixo (no caso do exemplo 3) e oitavas acima (no caso do exemplo 4).

Exemplo 3

Exemplo 4

O exemplo 5, agora na escala de D/Bm, sugere um novo motivo que será aplicado por toda a extensão da escala.

Exemplo 5

Estude bem e até a próxima semana!

Comentários (3)
  • enoc alves  - bom
    andre toca muinto
  • Jackson  - Muito bom
    ESta técnica já estava subentendida na cabeça de alguns, mas o artigo serviu para mostrar que não há necessidade de palhetar todas as notas quando se toca rápido e dá pra tocar rápido desta forma sem perder a dinâmica da palhetada
  • weber duarte costa
    uma ótima aula, vai me ajudar bastente nos meus estudos valw.
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