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Bahia de Todas as Cordas

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Esta é mais uma das entrevistas da mais recente edição da Cover Guitarra que já está nas bancas. É o papo que tive com Jurandir Santana, que produziu um ótimo álbum instrumental combinando a liberdade jazzística com ritmos brasileiros. Na sua fusão, gêneros baianos como o ijexá e o samba duro não ficaram de fora. Veja um trecho do vídeo que você encontra na versão digital da revista (disponível para todos os nossos assinantes)...

... e uma amostra da conversa que tive com ele:

A música brasileira deve muito aos baianos. Atualmente, a associação imediata que fazemos à produção musical deste Estado remete ao som dos tambores e dos ritmos de blocos afro como Ile Ayê, Araketu e Olodum. Incrível pensar que desta mesma Bahia saíram ícones de linhagens tão díspares como Dorival Caymmi, João Gilberto, Caetano Veloso, Raul Seixas, isso sem contar Dodô e Osmar, criadores do trio elétrico.

Quanto o assunto é guitarra, a dívida com os baianos é ainda maior. Basta pensarmos na revolução criada por João Gilberto com a sua batida de violão e visão harmônica revolucionárias ou então na genial fusão do rock com música brasileira de virtuoses como Armandinho e Pepeu Gomes. A “escola baiana de guitarra”, felizmente, segue ativa e bem representada por músicos como Jurandir Santana. Só Brasil é o nome do álbum instrumental que o guitarrista lançou recentemente. Formado basicamente por composições autorais, este ótimo trabalho prova que existe um imenso território a ser explorado no jazz brasileiro por meio da incorporação de ritmos locais tradicionais. Cover Guitarra bateu um papo com Santana, que falou deste lançamento e da sua maneira pessoal de fazer música.

Em Só Brasil, os ritmos brasileiros serviram de base para que você desenvolvesse suas músicas. Como costuma compor? O ritmo é o que vem primeiro?

Não sigo uma regra. Às vezes, penso em um groove de violão ou guitarra e, a partir daí, desenvolvo o tema. Posso também começar por uma melodia e criar tudo a partir dela. Depende muito da inspiração. Quando faço um arranjo ou componho, nunca me prendo em determinado ritmo, gosto de misturar. Neste disco, por exemplo, tem uma música chamada “Axeji”, que é um ijexá, um ritmo trazido pelos africanos ao Brasil. Quando estava gravando, sentia falta de algo que desse mais movimento à parte A. Então resolvi colocar células de outro ritmo baiano, o samba  duro, e deu tudo certo. Vivo em Salvador, um lugar onde o culto ao ritmo é muito grande, portanto  acabei desenvolvendo naturalmente isso em mim.

Suas músicas primam muito pelos arranjos. De uma maneira geral, esta é uma característica do jazz brasileiro em relação ao jazz americano, pelo menos quanto ao som realizado por grupos de formação pequena, não acha? Como você enxerga a importância do arranjo na sua música?

Realmente, o jazz brasileiro tem essa característica. No caso do jazz americano, muitas vezes o tema é só um pretexto para se improvisar, sem generalizar, é claro. Para mim, o arranjo é peça importante em uma música. Componho e faço o arranjo ao mesmo tempo. São coisas inseparáveis, primo muito por ele. Depois da composição, o arranjo é a sua identidade musical. Ele pode colocar o trabalho no céu ou destruí-lo completamente.

Na  faixa “Enquanto Não se Resolve”, você “brincou” bastante com as tensões dos acordes. Em uma escala de zero a dez, que medida de importância você daria ao quesito “harmonia” na sua música?

Nesta tema, utilizo muito a tensão de quinta diminuta. A música é um baião e essa tensão é utilizada neste estilo. Dá um efeito maravilhoso e nos remete ao sertão brasileiro. Dou nota 10 para a importância da harmonia na minha música. Se você a domina e sabe onde quer chegar, pode transportar as pessoas para vários lugares de acordo com as texturas harmônicas usadas. Para mim, harmonia é tudo!

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