Uma das entrevistas mais bacanas da mais recente edição da Cover Guitarra é a entrevista que o editor Fábio Carrilho fez com o excelente violonista Maurício Marques.
Veja abaixo um trecho do vídeo que mostramos na edição digital da revista (só para assinantes)...
... e um pequeno extrato do papo entre os dois:
Vaneirão, chamamé, chamarra, candombe e, claro, a gloriosa milonga. Os gêneros musicais dos pampas são um farto material para compositores, seja pela sua riqueza rítmica, pelo caráter apaixonado de suas melodias ou por aquela sensação sugestiva de paisagens que se perdem de vista no horizonte.
Diversos instrumentistas do Rio Grande do Sul da nova geração tem se apropriado deste caldeirão sonoro local em trabalhos autorais. O violonista Maurício Marques, por exemplo, é um deles. Empunhando seu violão de oito cordas, o virtuose acaba de lançar seu segundo trabalho solo, Milongaço, em que propõe uma fusão original desses estilos. Transitando na fronteira entre o erudito e o popular, Marques optou por uma formação interessante de contrabaixo, percussão, acordeom e violoncelo nos arranjos. Cover Guitarra conversou com o músico, que falou deste álbum, da sua técnica violonística e do seu estilo de compor.
Em Milongaço, você apresenta composições baseadas em gêneros gaúchos. Como foi para você pesquisá-los, já que muito deles são rurais e você é um músico de cidade grande?
Apesar de ser da cidade, tive oportunidade de viver algumas coisas do meio rural. Minha avó, Dona Maria da Glória, tinha uma fazenda onde eu passava alguns meses por ano, trabalhando com o gado, aprendendo algumas coisas distantes da vida que levamos na cidade. Essas experiências rurais foram marcantes para mim desde cedo, a convivência com grupos de danças folclóricas, bem como os bailes com música gaúcha. Acabei aprendendo muitos ritmos na prática! Tem uma música no CD em que homenageio esta fase: a chamarra “Estância da Glória”. Isto sem falar nos festivais de música gaúcha, que participo desde os quinze anos, arranjando, tocando e gravando.
Que medida você daria à importância da milonga para a música popular do Rio Grande do Sul?
O Rio Grande é uma babilônia musical, acontece muita coisa ao mesmo tempo. Temos a cultura da milonga, do chamamé, do vaneirão, mas também temos o choro, o samba, a música clássica. São coisas que fazem parte do povo, do nosso DNA cultural. A milonga é um elo que liga Brasil, Uruguai e Argentina. É o canto mais autêntico do gaúcho, por isso a sua importância. Como todo o folclore, só existe se é vivo, praticado. É isso que tento fazer, mudando algumas coisas dentro do gênero para torná-lo sempre presente, renovado, sem de perder a autenticidade.








