Se você não viu na época, agora tem uma nova oportunidade.
Veja o nosso colunista Luiz Cláudio mostrando como tocar a versão que George Benson fez para "Take Five", do Dave Brubeck Quatert, lançada no lendário álbum Time Out:
E o próprio Luiz Claudio explica:
"A versão de George Benson para este clássico do jazz, uma composição em 5/4 do saxofonista Paul Desmond, do Dave Brubeck Quartet - o primeiro a explorar os compassos compostos, libertando o jazz do compasso quaternário - tem no solo as escalas de Mi bemol dórico (Mi bemol / Fá / Sol bemol / La bemol / Si bemol / Do / Re bemol) e a pentatônica de Mi bemol menor (Mi bemol / Sol bemol / La bemol / Si bemol / Do).
O motivo rítmico – duas semicolcheias e uma colcheia –, repetido entre os compassos 28 e 32, foi tocado sobre as notas do arpejo de Re bemol maior, caracterizando o modo de Mi bemol dórico. Em seguida, as frases em oitavas fogem das tradicionais de Wes Montgomery. Repare que, em vez de tocá-las simultaneamente, Benson deslocou a nota mais grave em uma semicolcheia.
Do compasso 47 ao 49, ele utilizou frases com cromatismo, muito exploradas no bebop".
Para quem quer tocar guitarra com seriedade, recomendo as lições de harmonia e melodia embutidas na ótima transcrição que o nosso grande colunista Luiz Cláudio fez para a já clássica “Forrozin”, de Heraldo do Monte, na mais recente edição da Cover Guitarra (a 176). Dê uma lida na explicação dele e em um pequeno trecho do vídeo em que ele ensina como tocar esta música, disponível na edição digital da revista (só para quem é assinante)...
“Esta música está na tonalidade de Sol menor e possui andamento em 160 bpm. A primeira seção (parte A) é feita com a utilização da técnica de harmonização em bloco e sua harmonia tem características do jazz e da bossa nova. O próprio Heraldo do Monte afirma na contracapa do disco Heraldo do Monte (de 1980), que, nesta música, teve a intenção de evitar o esquema harmônico da música nordestina.
A segunda seção (parte B) caracteriza-se pela utilização da corda Sol solta. Nela, a ideia principal está em manter uma frase como pedal enquanto o baixo faz o movimento descendente em grau conjunto. Além disso, as convenções nos finais de frases utilizam acordes com abertura quartal (sobreposições em quartas em vez de terças) e acordes gerados a partir da escala dom-dim (escala formada pela alternância de semitons e tons).
Para a seção de improvisação, a escala utilizada é a de Sol menor dórico. A fraseologia está baseada na técnica de viola nordestina, utilizando cordas soltas e intervalos de terças”.
A música está na tonalidade de Fá maior, com andamento em 116 bpm. O tema possui um chorus de vinte compassos, divididos em quatro seções. Sua estrutura segue a mesma regra da forma canção, em que a primeira seção apresenta o tema, a segunda o repete, a terceira mostra um novo tema, e a última reapresenta o primeiro tema. Usando uma letra para cada seção, temos AABA.
A parte A tem como característica harmônica a utilização dos dominantes secundários. Vale lembrar que estes são os acordes com estrutura M7 que preparam cada um dos graus do campo harmônico – salvo o I grau, que é preparado pelo dominante primário. Repare que Scofield utilizou estes acordes com inversões nos baixos, gerando uma linha cromática em toda a seção. Para a parte de improvisação, o raciocínio é pensar acorde por acorde, destacando as tensões.
Se o seu objetivo for tocar com uma sonoridade próxima àquela do guitarrista, uma dica importante é posicionar a palheta perto da ponte, realçando os harmônicos de cada nota. (Luiz Claúdio)
A música está na tonalidade de Ré maior e a introdução é feita com sintetizadores. O solo da introdução é bem tranqüilo, baseado na escala de Ré menor, e começa no compasso cinco. A guitarra aparecerá somente após 25 compassos, por isso observe as pausas da introdução.
O riff de guitarra é bem simples e possui algumas notas mortas (indicadas com “X”), executadas com a caixa da bateria, o que proporciona uma boa sensação rítmica. Ao longo da música, embora não estejam indicadas, as notas mortas continuarão a aparecer.
Nas partes do canto e no refrão, há apenas uma guitarra conduzindo, apesar de uma segunda guitarra aparecer em alguns momentos. O solo da música é bem simples, começando no compasso 52 após uma intervenção dos sintetizadores, abrindo com uma alavancada na corda Ré solta, seguida por bends precisos. No compasso 55, há alguns tappings com cordas soltas, os quais estão indicados na tablatura. Do compasso 75 em diante, Brian May utilizou um delay com bastante repetição, uma de suas marcas registradas, o que torna a compreensão do trecho um pouco complicada.
No final da música, May fica repetindo frases, mas de um jeito solto e improvisado. Procure captar a essência da canção para entender melhor a idéia do improviso. Outro ponto importante é o timbre do guitarrista, que usa nesta faixa uma distorção bem leve e amplificadores valvulados. (Du Cabelo)
Esta não é uma música com estrutura simples, basta dar uma rápida olhada na partitura para notar a sua complexidade, com digitações pouco usuais e grande quantidade de ornamentações.
A primeira dificuldade é encontrar músicos para tocá-la, pois é um tipo de som que envolve improvisação. Obviamente, ter um baterista como Dennis Chambers ou um baixista como Victor Wooten não é para qualquer um. Independentemente deste “problema”, aconselho inicialmente muita calma a todos e que ouçam várias vezes a gravação original até a música começar a ficar natural para vocês.
Outro aspecto importante é que neste tipo de música todos gravam juntos (ao contrário do rock/pop). Por isso, o ritmo da gravação não é necessariamente “medido”, já que não está completamente ligado à marcação do metrônomo, mas a serviço do fraseado musical (também muito comum em peças solo para qualquer instrumento).
O fraseado de Greg Howe é surpreendente. Além de ouvir a gravação desta música, recomendo pesquisar outros trabalhos do guitarrista (incluindo a versão ao vivo), pois assim você “absorverá” melhor o estilo de Howe, sem descaracterizá-lo. Estude as frases mais trabalhadas com o metrônomo em andamentos mais lentos, pois, além da alta velocidade, as digitações demandarão certo trabalho. As ornamentações, como o slide característico de Howe, devem ser estudadas com muito cuidado. Procure não estudar as frases de maneira mecânica, mas sempre tentando entender quais ferramentas foram utilizadas.
Não há como precisar uma tonalidade, pois a música passeia por diversas escalas e harmonias complexas. A mixagem dificulta a audição de algumas harmonias e overdubs, principalmente nas partes ‘funkeadas’, porém essas são deixadas de lado na versão ao vivo. A escolha dos timbres também é vital. Busque um som limpo coeso, usando o captador do braço para a introdução da música e um drive com um ganho razoável para os solos. (Rafael Nery)